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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

"memento mori"


Certa feita num antigo mosteiro, um jovem aluno encontrou seu colega muito transtornado e, vendo-o daquela forma, perguntou: - O que houve? Por que estás assim?
- Este mestre já não me serve mais. Estou farto dele. Seguirei meu caminho sozinho ou com alguém que possa completar meus conhecimentos! Respondeu o colega.

Assustado, apressadamente o jovem aluno foi ao encontro de seu mestre, e o saudando com o sinal da paz, disse: - "memento mori", Mestre! Acabo de ver o colega cheio de fúria. Não o reconheci. Como pode, após tantos anos de ensinamentos??

Retribuindo movimento de paz com as mãos unidas, suavemente, ele respondeu: - "carpe diem", nobre aluno. Há lições na vida que muitos não conseguem entender. O respeito para com a sabedoria é algo que nunca deve ser perdido. Enquanto eu o apoiei, incentivei e estive ao seu lado, sem discordar, fui considerado o exemplo... o admirado... o respeitado. Entretanto, após discordar uma, duas, três vezes das suas atitudes, para ele, tornei-me sem valor, perdendo o reconhecimento, e o respeito por todos ensinamentos ofertados de bom coração. Hoje, sou como uma pedra atrapalhando o caminho de um elefante; como um vento contrário cansando o passarinho na sua jornada ou como a correnteza que exige força dos peixes na piracema. Porém, meu jovem aluno, ele não tem a compreensão de que o elefante leva anos para se tornar grande, ter força para superar os seus obstáculos e ser considerado um dos animais mais inteligentes do mundo; também não compreende que é com a força dos ventos contrários que os pássaros aprendem a enfrentar suas limitações e voar belamente pelo céu; e é com a correnteza, nadando contra o rio, que os peixes executam o exercício necessário para o importante processo de reprodução da sua espécie. Ensinamentos que a natureza nos dá dia após dia.

Ainda assustado com a atitude desrespeitosa do seu colega e percebendo um silêncio que o mestre deixou ao concluir a fala, o jovem aluno o questionou: - Mas, mestre, o senhor irá deixá-lo ir?

- Somos livres para fazer nossas escolhas, meu jovem aluno. Mas, também, somos responsáveis por suas consequências. E eu não posso prendê-lo. Que a vida o ensine a ter sabedoria, e que, principalmente, saiba usá-la. Que ensine a ter paciência, para que possas compreender e respeitar seus mestres; e que aumente a fé, para aceitar os desígnios da natureza. Respondeu o mestre.

Em seguida, o mestre saudou seu aluno, dando por encerrado aquele diálogo. - "Memento mori", jovem aluno.

Unindo as mãos e demonstrando ter absorvido o ensinamento ofertado naquele instante, o jovem aluno respondeu - “carpe diem”, mestre.

 Andando pelos corredores do mosteiro, o jovem aluno viu seu colega com um pequeno punhado de roupas, uma porunga e um pouco de comida num pequeno cesto. Aproximou-se do colega, o olhou nos olhos, disse: - “memento mori... memento mori”.  e afastou-se, permitindo que o colega seguisse seu caminho.

Que o texto seja uma reflexão, pois vivemos diariamente escolhendo caminhos, criando e perdendo oportunidades por não compreender e respeitar os ensinamentos da vida.
“carpe diem!”.

Obs.: As expressões “memento moris” e “carpe diem”, segundo pesquisas, era uma forma de saudação, em latim, de antigos mosteiros. “memento moris” significa "lembre-se de que você vai morrer" e “carpe diem” : “aproveite o dia”; Porunga é um Recipiente para armazenar líquido.

* Mário Pires: Escritor, compositor e Gestor de Marketing. 

sábado, 14 de março de 2015

Nunca tive inveja de ninguém. Não faz parte da minha personalidade.

 
Nunca tive INVEJA de ninguém. Não faz parte da minha personalidade. Dos Meus SONHOS corri atrás. Lutei! Venci! Ganhei! Perdi! Mas BUSQUEI tudo o que pude. Da minha FELICIDADE, fui e vou sempre em busca. E não me considero uma pessoa infeliz. Ao contrário, tive e tenho motivos para esbanjar ALEGRIA.

Nunca me acomodei, nem esperei as coisas caírem do céu. Não fiquei vendo a vida passar até perceber os cabelos brancos surgirem na minha cabeça. Para cada fio, eu escrevi uma hist
ória. Histórias de LUTA, ESTUDO, TRABALHO, AMOR, E PERSEVERANÇA. Eu, sou a pessoa que mais sente ORGULHO de mim. E por esse motivo, nunca tive inveja de ninguém. Não faz parte da minha personalidade.

Se pudesse dar um conselho a alguém, diria: lute por sua FELICIDADE e faça tudo valer à pena. Nessa "peça de teatro" chamada vida, não sejamos espectadores que apenas assistem tudo pela tela da TV. Não precisamos ser, necessariamente, os atores principais. Mas que sejamos, ao menos, um contrarregra, que faz de tudo para que a "peça" possa acontecer. E assim, tenhamos mais orgulho de nós mesmos. É por isso que nunca tive INVEJA de ninguém. Não faz parte da minha personalidade.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O Amor e o tempo





Durante um tempo a gente pensa que Amor é apenas um verbo intenso do sentir. Que amar é simplesmente atormentar-se com uma enorme dor no peito repleta de saudade, preenchida da vontade de perto estar, do desejo de beijar, abraçar e viver um eterno “final feliz”.

Com o tempo, o próprio tempo, vai mostrando e definindo que o Amor vai além de um sentimento. Amar é cuidar; é querer fazer o outro feliz com todas as suas forças e possibilidades; é ser sincero e parceiro, seja na luta pelo sustento do dia a dia ou no desempenho da união familiar. É viver, intensamente, não somente o sonho do outro. Mas viver constantemente, e juntos, o sonho de cada um.

Amar não é apenas a expressão gráfica do “Eu te Amo”. É ser para quem se ama o que você deseja que ele seja para você; é ser exemplo e admiração para que, com o passar do tempo e o avanço da idade, ele, o tempo, não permita que o brilho dos olhos seja ofuscado por luzes alheias que não sejam do seu amor. Amor é ter atitude de lutar e formarem um. Enquanto o mundo lhe cobiça para ser dois.

Amor é plenitude, é a magnitude em verdadeiramente Amar.

(Por Mário Pires)

sábado, 12 de abril de 2014

Recado para minha Diarista



 

Querida Diarista,

Sei que és uma excelente profissional e que fazes todas as coisas com carinho e afinco. Afinal, já faz um bom tempo que estamos nessa parceria. Mas hoje eu não vou precisar de ti.

Hoje resolvi fazer minha própria faxina. Limpar os cantos empoeirados, guardar as roupas sujas, dobrar as limpas e arrumar o guarda roupa. Limpar o banheiro, deixar a pia livre de copos e pratos, lavar o quintal e molhar as plantas. Pois hoje, preciso desse dia.

Preciso desse dia exclusivamente para mim. Porque, além de fazer as atividades do lar, que ajudarão a repensar minha vida, vou também ocupar meus pensamentos e contribuir para que eu trabalhe melhor minhas emoções. E, quando estiver passando o pano no chão da casa, retirando toda sujeira que por lá estiver, quero também estar limpando minh’alma das coisas ruins que vivi. Das dores que senti, das decepções que me machucaram, e, principalmente, das lágrimas que derramei pelo caminho, enquanto voltava para casa.

Quero poder sentir o vento mais leve tocando o meu rosto quando encostar na janela, quero me sentir mais leve por estar deixando algumas lembranças do passado, literalmente no passado. Quero me sujar com as minhas fantasias pela última vez, antes de colocá-las na máquina de lavar e, então, pôr um fim nas manchas no tecido e retirar todo o perfume contido nelas. Porque eu preciso usar roupas novas. Porque eu preciso viver.

Enfim, eu te peço, não fiques triste comigo, querida diarista. Mas hoje, eu quero esse dia só para mim.

Até outro dia.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Entre a música e o amor...


Duas jovens conversavam enquanto a música rolava no som. Ao redor pessoas dançavam e divertiam-se até que se iniciou uma canção romântica. O clima ficou mais tranquilo, o calor diminuiu e o vento até refrescou o curto espaço que se encontravam. O balançar do corpo cessou e o clima de alegria ficou mais suave. De repente, uma inquietação surgiu entre ambas, até que uma delas comentou:
- Que música chata! Tá ficando sem graça! Exclama.
Sem pestanejar, logo após a fala da amiga a outra completa:
- É música de amor. E música de amor não presta.

Sabemos que muitas canções de amor embalaram e irão embalar o futuro de milhões de pessoas. E jovem, é todo aquele que possui o espírito leve. Mas, sem julgar, ainda que biblicamente falando: "sem amor nada seríamos", entendi que naquele momento a alegria predominava e que, certas canções de amor, atraem a tristeza. 
Naquele instante, concordei com as palavras daquela menina que o futuro reserva lindas canções de amor. Pois, assim como eu, ela apenas queria estar feliz. 

(Mário Pires)