sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Desatar


Entre nós e cordões,
não umbilicais,
limitamos nossos passos,
sendo preciso desatar.

Às vezes somos a corda,
às vezes somos a prova,
de que laços devem ser desatados,
desamarrados, para continuar.

Expandir o pensamento,
não somente olhar no espelho,
sorrir além do aparelho
de TV no móvel da sala.

Rescindir velhas manias,
quebrar antigas oligarquias,
elucidar preceitos de outrora,
mover-se mundo a fora.

Desprender-se é a solução,
pra quem deseja o infinito,
e por mais que seja mito,
não nos faz desmanchar.

Acreditar é o caminho,
seguir parábolas em pergaminho,
Andorinha voa longe quando sai do ninho,
sendo preciso desatar.

Soltar-se ao vento,
flutuar com o tempo
para não sofrer com secas e temporais.

Ainda que perecíveis à vida
não guarde rancor, cure suas feridas.
Onde estás agora não há volta, somente ida,
por isso, às vezes é preciso desatar.

Um comentário:

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Oi Mário !

Que poema lindo!

Me emocionei muito. Porque me vi em cada linha. Porque estou presa em um emaranhado de passado e nao sei se consigo me libertar. Mas preciso!

E suas palavras foram como lamparinas, e mostraram onde estou presa, onde quero chegar. Talvez eu só precise de coragem, sabe? Penso que realmente, o medo é o pior nó.

Beijos

Selma